Tenho um amigo que adora ópera. E escreve muito bem. Este é um dos textos dele. Aproveitem!!! Um dia quem sabe ele faz um blog dele!
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Impressões sobre a Norma de Bellini
(escrito por José Carlos Cidade)
Existem inúmeras gravações da ópera Norma, do compositor italiano nascido na Sicília, Vincenzo Bellini, na voz da sopra grego-americana Maria Callas. Cada vez que me deparo com uma delas, tenho a oportunidade de sonhar que estou vendo a minha cantora favorita ao vivo, nos muitos teatros onde ela se transformou – mais de 90 vezes!- na sacerdotisa que sacrifica o amor pelo homem amado e a sua própria vida pela integridade dos dois filhos.
O enredo
A ópera conta a história de Norma, uma sacerdotisa druida que comandava o exército do seu povo contra os invasores romanos, mas que, secretamente, tem um relacionamento com um soldado inimigo, Pollione, pai de seus dois filhos, também mantidos no anonimato. Paralelamente, esse soldado está cortejando a aspirante a sacerdotisa, Adalgiza, que é fiel à Norma e a seu povo, mas que está prestes a se entregar a Pollione, como Norma fizera no passado.
Angustiada por estar se sentindo atraída por um soldado do povo inimigo, Adalgiza vai se confessar com Norma, mas oculta o nome do seu pretendente, até que este aparece, dando início a uma cena de grande tensão dramática, em que Pollione assume sua paixão por Adalgiza, diante da mãe de seus filhos, ao mesmo tempo em que Norma maldiçoa o seu amado e ordena que a sua concorrente o siga. Esta cena é um dos pontos altos da ópera e termina num superagudo da protagonista.
Tomada de ódio e angústia, Norma pensa em matar os filhos para se vingar de Pollione, mas não encontra coragem. Porém, decide suicidar-se e pede a Adalgiza que cuide das crianças. Esta convence a sacerdotisa a desistir do intento e jura fidelidade à amiga, decidindo não mais encontrar Pollione.
Mais tarde, ao saber que Pollione insistia em cortejar Adalgiza, decide convocar o povo druida a atacar o exército romano, proclamando guerra aos inimigos. Nesse interim, Pollione é capturado em território druida e é interrogado por Norma. Segue-se um dueto de grande intensidade dramática, ao fim do qual a sacerdotisa, enfurecida, informa ao romano a sua decisão de revelar a seu povo a existência de uma sacerdotisa que estava infringindo as leis, ao flertar com um romano.
Norma convoca o povo e se prepara para revelar o nome da sacerdotisa perjura, que deveria ser queimada como castigo por infringir as leis. Desesperado, Pollione implora à Norma para não denunciar Adalgiza, mas a sacerdotisa surpreende a todos ao revelar ser ela mesma a mulher que traiu o seu povo.
Diante do espanto geral e da negação do próprio Pollione, Norma afirma não estar mentindo e ordena a seu povo acender a fogueira para a punição. Pronta a se sacrificar por suas faltas, Norma faz um último pedido a seu pai, Oroveso, que até então de nada tinha conhecimento. Pede para proteger seus filhos contra a fúria do seu povo. Mas o ancião, surpreso e irritado com a revelação, se nega a atender à súplica.
A cena final é uma das mais comoventes de todo o repertório lírico, uma vez que mostra a protagonista implorando a Oroveso para não punir as crianças pelos seus erros. Quando este finalmente promete protegê-los, Norma sublima o sacrifício por que iria passar, se dizendo feliz por ter conseguido poupar os filhos.
Sobre a gravação, realizada ao vivo em Trieste
O som é medíocre, o disco salta de vez em quando, engolindo algumas frases, há ruídos desagradáveis, sentimo-nos proprietários exclusivos de uma gravação pirata, em que todas as imperfeições perdem a importância perto do valor histórico e artístico.
Trata-se, na verdade, de um valioso documento de um dos momentos mais felizes e grandiosos da Norma que entrou para a história pela voz da sua mais aclamada intérprete. Maria Callas está cantando divinamente. Assim que a cantora entra para iniciar o recitativo que precede a célebre e difícil Casta Diva, a platéia se manifesta entusiasticamente, o que deve ter gerado uma certa tensão na intérprete.
O recitativo começa com a voz num volume um pouco abaixo do habitual, mas não demora para a intérprete se transformar na poderosa e apaixonada sacerdotisa, tecendo as frases da “Casta Diva”, com sua grande maestria, utilizando o pianíssimo como jamais tinha ouvido igual. Em seguida vem a cabaletta, que culmina com um robusto e longo super agudo. Daí pra diante, se sucedem momentos de muito brilho e intensidade, tanto por parte da protagonista, como também por Adalgiza, cantada por Helena Nicolai. No competitivo mundo da ópera na década de 50, percebe-se uma luciférica competição, quando ambas entram numa disputa de fôlegos. É como se quisessem se superar, prolongando os agudos sem demonstrarem estar fazendo nenhum esforço. Excepcional!
A interpretação e os sons produzidos por Callas merecem cada um deles uma dissertação à parte, sobre a entrega e a intensidade da cantora. Ela não apenas canta e interpreta Norma, mas passa a ser e a viver a personagem na pele e nas vísceras.
Quando Pollione aparece no trio do final do primeiro ato, com Franco Corelli mostrando por que foi o maior tenor dramático da segunda metade do século XX, entramos num furação de vozes em ebulição, que culmina num longo ré agudo da Callas no final do trio entre soprano, mezzo soprano e tenor. Mais do que um superagudo, é uma nota que mostra o desespero de uma mulher que flagra o amante uma outra mais jovem. Magnífico!
quarta-feira, 11 de março de 2009
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Do blog de uma linda amiga ...
"Farsante
Esta vida
estampada em fotos coloridas
sorrisos
muitos amigos.
Esta vida
cheia de sol
de mar
e de alegrias...
Esta vida...
não é minha."
(by Clara Vasconcellos)
Esta vida
estampada em fotos coloridas
sorrisos
muitos amigos.
Esta vida
cheia de sol
de mar
e de alegrias...
Esta vida...
não é minha."
(by Clara Vasconcellos)
quinta-feira, 31 de julho de 2008
domingo, 18 de maio de 2008
Um dia, a despedida. Caio Fernando Abreu apropriado. Mas aí o tempo passou, os sentimentos adquiriram novos vernizes, cores e (dis)sabores. Mas ficou a poesia daquele papel escrito a mão. E a lembrança reinventada: "deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado ..."
sexta-feira, 9 de maio de 2008
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
sábado, 2 de fevereiro de 2008
sábado, 19 de janeiro de 2008
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
terça-feira, 13 de novembro de 2007
sábado, 3 de novembro de 2007
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Era só um gato ...
Era só um gato ...
Comunico o falecimento do meu gato Batatinha
Era só um gato – vira-lata, gordinho, peludinho, rabugento, que vivia me arranhando
Era só um gato que acordava às cinco da manhã para me pedir comida
Que miava para pedir que eu abrisse a torneira para ele beber água da bica
Era só um gato que aguardava os sábados e domingos para correr para a mesa da sala para comer o atunzinho que eu colocava para ele
E que se escondia quando o interfone tocava
Era só um gato que corria para o banheiro para pedir que eu o escovasse
Era só um gato que me perturbava, me enchia o saco e com o qual eu mais brigava
E que foi testemunha dos piores e melhores momentos da minha vida
Era só um gato que eu adotei um dia
Era só um gato de 5 anos que, de repente, se foi
E me deixou a pessoa mais triste do mundo
Perplexa por perceber como um gato podia significar tanto na minha vida
Era só um gato que eu nem sei se gostava de mim
Agora ele é só uma lembrança que não mia mais, só dói.
E como dói.
TM – 15/10/2007
Comunico o falecimento do meu gato Batatinha
Era só um gato – vira-lata, gordinho, peludinho, rabugento, que vivia me arranhando
Era só um gato que acordava às cinco da manhã para me pedir comida
Que miava para pedir que eu abrisse a torneira para ele beber água da bica
Era só um gato que aguardava os sábados e domingos para correr para a mesa da sala para comer o atunzinho que eu colocava para ele
E que se escondia quando o interfone tocava
Era só um gato que corria para o banheiro para pedir que eu o escovasse
Era só um gato que me perturbava, me enchia o saco e com o qual eu mais brigava
E que foi testemunha dos piores e melhores momentos da minha vida
Era só um gato que eu adotei um dia
Era só um gato de 5 anos que, de repente, se foi
E me deixou a pessoa mais triste do mundo
Perplexa por perceber como um gato podia significar tanto na minha vida
Era só um gato que eu nem sei se gostava de mim
Agora ele é só uma lembrança que não mia mais, só dói.
E como dói.
TM – 15/10/2007
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
sábado, 29 de setembro de 2007
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
27/09/2007
Hoje eu só queria que você estivesse aqui - por segundos que fossem ... seriam os melhores da minha vida. Hoje eu só queria te dizer novamente que adoro picolé de uva. E que aqueles 11 anos foram os melhores.
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
E de repente o mistério acontece. Como se nos deparássemos com alguém que não conhecemos mas que é parte de nós. Vamos mergulhando devagar neste ser que ora nos invade ora nos foge. Melhor ir fazendo sem pensar muito no depois ... ou no antes. Melhor viver do que se preparar muito para a vida. Há sempre o primeiro dia. Viagem sem fim, sem garantia de retorno. Aí não é mais possível fingir que nada aconteceu, pois tudo acontece sem haver nada de novo.
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
tenho uma amiga que diz que a plasticidade da vida a impressiona porque sai por aí, cicatrizando feridas e refazendo caminhos onde as rotas principais foram destruídas. Pois é ... sempre é tempo.
domingo, 16 de setembro de 2007
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
terça-feira, 11 de setembro de 2007
domingo, 9 de setembro de 2007
De uma amiga ...
"Desapegar é deixar de ter expectativas em relação aos outros. Que, como nós, são feitos de equívocos, enganos, erros. Vc tb deve ter cometido erros, equívocos e enganos. O primeiro passo para aceitá-los nos outros é aceitá-los em nós mesmas como parte da nossa condição humana. Produz menos sofrimento em todo mundo."
Queria saber escrever assim ...
"Desapegar é deixar de ter expectativas em relação aos outros. Que, como nós, são feitos de equívocos, enganos, erros. Vc tb deve ter cometido erros, equívocos e enganos. O primeiro passo para aceitá-los nos outros é aceitá-los em nós mesmas como parte da nossa condição humana. Produz menos sofrimento em todo mundo."
Queria saber escrever assim ...
Passagem
"Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo passa
Tudo sempre passará ..."
(Lulu Santos)
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo passa
Tudo sempre passará ..."
(Lulu Santos)
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